Meio Ambiente e Sustentabilidade

24 09 2009

Respondi questões promovidas pelo EAD – Meio Ambiente e Sustentabilidade.

Há partes no texto citadas por conceitos de Maria Raquel Mattoso Mattedi.

1.     Síntese da evolução histórica entre sociedade e natureza a partir da organização social da produção:

Natureza é o conjunto do que se produz no universo independente de intervenção refletida ou consciente.O mundo natural é formado por recursos naturais que se subdividem em dois tipos de elementos: os bióticos (com vida), como a fauna e a flora; e abióticos (sem vida), como a terra, a água, o ar etc. Os recursos podem ser renováveis ou não: Aqueles que se escasseiam pelo uso, mas se renovam a todo momento são os renováveis; Aqueles que, pelo uso, tornam-se escassos e podem desaparecer da biosfera são os não renováveis.

Sociedade é o conjunto de seres que, juntos, definem relações, trabalhos e funções. O ser humano é a única espécie que, além de viver em sociedade, é capaz de criar história, produzir e transmitir conhecimento, criar arte e cultura e, inclusive, de transformar a natureza de acordo com suas necessidades e interesses.

Sociedade e natureza, na verdade, são conceitos vinculados pelo qual um completa o outro. O homem é parte integrante da natureza. Mas com o tempo estes dois conceitos foram separados. Nós evoluímos e acabamos distinguindo o ser humano com a natureza. A relação da sociedade com a natureza se deu pelo trabalho – há muito tempo (período neolítico) essa relação se dava através das próprias mãos humanas. Enquanto se desenvolviam elas eram também um meio ou uma ferramenta de trabalho. A evolução das mãos associada ao desenvolvimento do cérebro permitiu o surgimento de sociedades primitivas destinadas a reproduzir suas condições de existência. A história possibilitou a passagem formas diretas de intercâmbio com a natureza para formas mais sofisticadas, requerendo novas relações sociais.

Enquanto o animal modifica a natureza apenas por sua presença, o ser humano a submete, pondo-a a serviços de seus objetivos determinados. O homem domina a própria natureza.

Além de se relacionar com a natureza enquanto trabalha, o ser humano também se relaciona com os seus semelhantes (outros homens). A esse conjunto de relações subdividimos a Técnica e a Social. A transformação dos recursos naturais com vistas à satisfação de necessidades são relações técnicas. Já as relações entre os homens no interior do processo produtivo, assim como a distribuição de riquezas geradas pela produção são relações sociais.

O trabalho deu origem às sociedades humanas e também permitiu a evolução das sociedades – desde as primitivas às industriais. Relações técnicas e sociais superaram o nomadismo e garantiram a formação de cidades fixas.

Embora a evolução das sociedades e do sistema de trabalho tenham aumentado o nível de produção e tecnologia dos grupos humanos, a relação entre homem e natureza se tornou cada vez mais distante e perigosa. Por isso problemas ambientais, antes inéditos, surgiram e cresceram exponencialmente.

Na Revolução Agrícola a produção de excedentes alimentares possibilitou o sedentarismo. Na Atinguidade Clássica já eram percebidas desigualdades sociais. A Revolução Industrial foi o estopim de um processo produtivo arrasador aos recursos naturais – o homem e a natureza se tornaram praticamente opostos. Com o surgimento das indústrias, os problemas ambientais começaram a aparecer e mostrar a reação da natureza pela ação destrutiva humana.

A produção excessiva capitalista também tornou os homens consumidores excessivos. Gerou necessidades antes inúteis e tornou o ser humano mais frágil e sedentário. A organização social de produção atual está tendendo a reverter este sistema arrasador para a manutenção de indústrias e produtos cada vez mais recicláveis e ecológicos – além da utilização de energias renováveis e conscientização da população para menos consumir. Mas são ainda poucas organizações que tratam destas ações com força.

2.     Principais problemas ambientais originados das atividades humanas:

As sociedades já viveram em diferentes modos de produção, como o escravismo, o feudalismo e o capitalismo – que está ativo até hoje. Cada um destes modos provocaram – e continuam provocando – impactos no meio ambiente.

Impactos ambientais são modificações causadas no meio ambiente pela ação das sociedades humanas. Quando estas modificações não são exercidas a partir da ação do homem, elas são chamadas de acidentes naturais (fenômenos da natureza como erupção de vulcões, tufões, maremoto e tempestades). Só considera-se impacto aquele causado pela ação da sociedade sobre o meio biofísico e sócio-econômico.

O meio ambiente pode sofrer por estar espoliado, poluído ou ferido. Um ambiente espoliado tem seus recursos naturais usados excessiva e intensivamente. Um ambiente poluído pode sofrer poluição biológica, do ar, do solo ou hídrica; além de poluições urbanas como a sonora e a visual. Um ambiente ferido sofre alterações introduzidas na topografia e no relevo provocando mudanças no meio.

Desde a Revolução Industrial, os impactos ambientais aumentaram bastante. Isto se deve ao modo de produção capitalista que, além de ter se tornado dominante, provocou impactos sociais como individualismo, desigualdade socio-econômica, injustiças jurídicas e impactos ambientais como desmatamento, poluição, aquecimento global etc.

Dentre os impactos ambientais vale destacar que a grande maioria deles foram provenientes da urbanização. Para se urbanizar um local é preciso desmatar florestas para ganhar espaço às construções e rodovias: isto já provoca uma série de alterações ambientais que atingem clima, espécies, topografia e até mesmo poluição. Dentre as construções instaladas na cidade, tem-se diversas indústrias capazes de produzir uma quantidade excessiva de poluentes no ar. Os lixos das cidades nunca somem, ou são aterrados – poluindo o solo e, talvez, lençóis freáticos – ou são queimados poluindo o ar ou são jogados em rios e mares poluindo e danificando todo um ecossistema que vive neles. Deve-se lembrar também dos inúmeros automóveis capazes de poluir a atmosfera significadamente – felizmente tecnologias de combustível limpo estão sendo pensadas, pesquisadas e colocadas em prática já em alguns países desenvolvidos da Europa. Mesmo assim, todo este acúmulo de impactos ambientais da urbanização voltam para a própria cidade em forma de chuvas ácidas, aquecimento global, efeito estufa e até mesmo insetos e animais transmissores de doenças graves.

Além da urbanização, o próprio sistema de extração e produção capitalista é um agressor ao meio ambiente. Isto porquê o objetivo final de qualquer indústria extrativista é recolher o máximo possível de recursos naturais para a distribuição (venda). Portanto, indiretamente, o objetivo delas é espoliar a natureza. Diversas leis fiscais tratam deste assunto, mas muitas dessas indústrias parecem estar “fora do alcance” legislativo. No Brasil este é um assunto que todos conhecem, mas poucos tomam providência e, aqueles que tomam, inexplicavelmente somem após um tempo. Em um âmbito global, esta política capitalista de extração e produção excessiva é, além de desnecessária, arrasadora. Pois, falando sobre alimentação, tudo o que é produzido hoje no planeta pode alimentar mais de três outras “Terras” iguais. Mesmo assim quase metade da população sofre de fome. Isto se deve à desigualdade sócio-econômica, onde apenas os que tem condições conseguem sobreviver, enquanto o que sobra é desperdiçado. Este é um sistema falho e não pode continuar desta forma.

Falando sobre publicidade e propaganda, esta área administrativa pode provocar alguns impactos como poluição visual, sonora e do solo. Outdoors, cartazes, indoors, dentre outras mídias expositivas já se tornaram elementos normais em ruas e edifícios. O excesso desta mídia polui a paisagem de qualquer local com a diversa quantidade de cores e informações. Carros de som e rádios-de-praça são uma tremenda poluição sonora para quem está tentando relaxar em algum ponto da cidade. Além destas mídias berrantes, as mais discretas como panfletos também podem gerar impactos ambientais; de dez mil panfletos distribuídos, por exemplo, mais da metade são jogados no chão – muitos nem mesmo lidos. Como cidades são, geralmente, preenchidas de concreto, após uma chuva estes panfletos podem entupir bueiros e até mesmo provocar enchentes por causa disto. Portanto os publicitários precisam ter consciência ambiental para saber qual a mídia mais adequada para a veiculação da mensagem. Atualmente a mídia digital como a internet está em ascensão e é completamente “limpa”, logo, é um ótimo meio para substituir estratégias de promoção.

3.     Como superar os desafios para pensar em mudanças sociais rumo a um desenvolvimento sustentável:

O equilíbrio sempre será a correta base de qualquer desenvolvimento. São três principais dimensões que devem ser equilibradas igualmente em nossa sociedade: a econômica, a social e a ecológica. As três devem ser integradas da maneira mais equivalente possível.

No âmbito ecológico atual, estamos extraindo e produzindo mais do que precisamos e mais do que a natureza pode renovar. Ou seja, estamos caminhando para o finito sem sequer objetivos concretos. O conceito de se produzir para gerar capital é mais forte do que o de se produzir para satisfazer necessidades. Para desatrelar este conceito e torná-lo mais voltado para o bem do meio ambiente seria preciso que indústrias extrativistas e grandes produtoras fossem administradas pelo próprio governo. Isto retiraria o objetivo mercadológico – ou pelo menos diminuiria bastante – das empresas e, inclusive, geraria uma maior renda para o governo sustentar outras verbas necessárias como educação e saúde.

Falando sobre valores socio-econômicos atuais, estamos destinados a viver sempre às custas da desigualdade. O sistema capitalista competitivo não dá chances para quem já nasce injustiçado e acaba “fidelizando” e ajudando mais ainda aqueles que já obtém boa condição financeira. Isto acontece porquê o falho sistema de capital promove que todos devamos estudar, trabalhar e sustentar a família; mas como aqueles que não têm condições poderão estudar? Daí entramos no âmbito das instituições públicas; mas como se dar bem se nossa educação púbica é precária? Então vamos às cotas universitárias. Em um filtro rigoroso e injusto saem apenas três a cinco pobres que, com garra, conseguiram reaver condições. Mas a maioria deles não podem sequer ter garra para estudos, pois ao mesmo tempo precisam cuidar da família que envolve os pais e vários irmãos e, por isso, acabam preferindo trabalhar em serviços sem futuro. Este é só um exemplo do injusto paradoxo que rondeia o nosso sistema econômico. Mas para isso são criadas boas políticas públicas como bolsas em escolas particulares e universidades, além de cotas para ensino público e cursos técnicos que exigem menos tempo. É preciso ajudar a quem já nasce injustiçado para manter o equilíbrio social.

Uma grande solução que poderá ser a ascensão de um novo mundo ecológico é a “teconologia” – a combinação de tecnologia e ecologia; corresponde ao estudo mais aprofundado de criar tecnologias capazes de serem recicláveis e auto-sustentáveis, utilizando energias renováveis tanto para a produção quanto para a utilização. É um novo e adequado caminho para evoluirmos sem estragarmos o meio ambiente. Já há cursos específicos que envolvem tal assunto como engenharia ambiental. Profissionais estão surgindo na área entre a engenharia e a ecologia munidos de idéias revolucionárias para que o mundo cresça e se desenvolva de um modo sustentável. Extrações serão diminuídas exponencialmente e qualquer tipo de poluição será rara. Já existem carros ZEVs que são movidos a energia elétrica, ou seja, não há poluentes e o combustível é renovável.

Não há mais espaço para conservadorismo em nossa sociedade. Precisamos adotar novas medidas, novos sistemas, novas tecnologias e, principalmente, novos objetivos: todos com o princípio baseado no equilíbrio entre desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e preservação do meio ambiente; para alcançarmos enfim o desenvolvimento sustentável.

Agradeço a autora da disciplina por sua simplicidade e objetividade na explicação e sistematização do conteúdo.

Conteúdo relacionado: http://www.marinasilvapresidente.org/

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Ações

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2 responses

8 02 2010
Felipe

Gostei bastante da reflexão que voce desenvolve nesta linha, de capital e sustentabilidade, parabéns.

25 03 2012
Jaíra Sousa Silva

È muito prazeroso ver um jovem falar tão claramente do desgastado do meio ambiente, preocupação com o futuro, que é agora.!!!!!!

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